mas eu gosto ainda mais do suco de maçã da rossoni, o melhor suco de maçã do brasil!!!
é igual (senão melhor) que o suco que eu bebia aos baldes no canadá! é um suco clarinho, muito saboroso, diferente dos outros sucos de maçã que são opacos e xoxos. descobri que ele é pasteurizado e filtrado pra ficar assim, maravilhoso.
no site da cave são miguel dá pra ver o suco de uva, também, que é igualmente bom. você pode encontrá-los aqui em são paulo em alguns (poucos) lugares. eu compro às vezes no luzita, na esquida da teorodo com a oscar freire, em pinheiros.
OBRIGADO, CASÉ!










ch-ch-ch-changes
ok, depois de fazer uma busca na web eu vi que esse título é mega cliché.
que me importa, bowie anda me entendendo como ninguém mais.
esses últimos dois anos foram preenchidos por uma sequência de preparativos para um grande mudança que está a pouco mais de um mês de acontecer. começou em novembro de 2007, quando voltei de um congresso no canadá (sempre você, oh, canada), e o ander me propõe de mudarmos para lá. desde que voltei de montréal, em 2003, eu nunca pensei em me mudar de volta pra lá. e ele estava de saco cheio da empresa dele, então no começo eu não acreditei muito se ele queria mesmo se mudar de país ou se essa ideia absurda era parte da insatisfação profissional do sujeito.
ele me convenceu de que era sério e começamos a ver o que precisaríamos fazer pra trabalharmos lá, morarmos lá, enfim, vivermos lá com um pouco mais de dignidade que os mineiros que fogem pra new jersey. eu não estava a fim de topar subemprego (mais neste tópico adiante), queria as coisas feitas direitinho.
descobrimos que existe todo um mundo de grupos de discussão na internet, escolas de francês do québec e toda uma miríade de sites do governo do canadá para apoiar quem quer deixar seu país de origem e ir se aventurar no “grand nord”. estudamos o québécois, conhecemos muitas pessoas com os mesmos planos e, finalmente, conseguimos atravessar a burocracia como quem acha o eldorado depois de anos (mesmo) numa selva suarenta de formulários, atestados, exames médicos e declarações que irritam que nem mosquito.
estamos com o visto na mão, finalmente, depois de termos a passagem comprada e o apartamento alugado lá. estou num estado lastimável de stress e ansiedade, com pressão alta e colesterol idem, e inversamente proporcional deve estar a paciência do ander. e o pior é que ainda nem posso dizer que valeu a pena. acho que só terei essa resposta daqui a alguns anos.
por enquanto, sei que não é passárgada. só sei que já começou bem: fiz o processo com o ander como qualquer outro casal faria, sem distinções de gênero como está bem explicado no rodapé do formulário. lá vamos poder nos casar e finalmente confirmar perante a lei o que já vivemos de fato. vai ser um imposto de renda, um plano de saúde, mais um dependente no seguro de vida. não sei se na vida cotidiana vai mudar alguma coisa, mas já me sinto cada vez mais próximo desse cara que eu amo.
eldorado está lá, vamos chegar daqui a pouco, sem saber direito o que temos pela frente, por mais que tenhamos nos preparado. todo dia encontramos alguma informação nova e percebemos o quanto o governo de lá se empenha em receber bem o imigrado. “o québec quer você”, ouvimos pra todo lado, e você pensa: “claro, né, quem não ia querer? um outro país pagou pela minha formação inteira e agora eu chego lá, prontinho pra trabalhar. haja negócio bom assim lá na china!”
antes eu não pensava em subemprego, mas agora eu acho que topo (quase) qualquer coisa pra começar: vendedor de livraria (editoração, você precisa me valer pra alguma coisa), atendente de padaria de bagel, tirador de neve de escada… hoje essa opcão parece fazer mais sentido, já que estou mirando lá na frente e pretendo voltar a estudar. planos a longo prazo, eu não me lembrava mais como fazê-los.
tudo é novo, tudo brilha, tudo chama a atenção. tenho um moleque aqui dentro que quer se jogar, como quando fui pra lá há sete anos (conta de mentiroso!), e logo atrás dele vem um velho que pede cuidado a cada passo. estou empolgado, como há anos não ficava, e isso justifica o trabalhão que tivemos. em pensar que esse trabalhão foi só preparativo…
quando fui estudar na concordia university, uma das quatro da cidade, era minha primeira viagem internacional. conheci brasileiros e estrangeiros, conheci os países do québec e do canadá, conheci a neve e um inverno de -30º, conheci comidas exóticas e pizzas malfeitas, conheci costumes e valores diferentes dos meus, mineiro perdido em são paulo. precisei de drummond, neruda e vinicius pra me entender num lugar sem meus amigos, sem minha família e sem o ander, que eu só conhecia há um ano e não queria largar. vi que a neve derrete mostrando uma rua suja. o eldorado não é só brilho, graças a deus. é de verdade, tem defeitos, do jeito que eu acho que tem de ser.
agora estou voltando pra um eldorado completamente diferente. vou com o ander, vamos pra trabalhar e vamos de vez — ou pelo menos por um bom tempo.
quando escrevi esse texto, eram quatro horas da manhã e eu estava na casa da minha mãe em andradas. não dava pra ouvir nada além de alguns pingos de chuva e um grilo no terreno ao lado. até o maldito cachorro do vizinho resolveu dar uma trégua. eu acordei de um sonho com uma propaganda de dentistas onde “figuras conhecidas da noite paulistana agora atendem você, que mora fora do país e precisa de um tratamento rápido e de qualidade nas suas curtas férias por aqui”. eu já estou me sentindo um emigrante.
no dia anterior, eu passei na casa dos meus avós, ambos filhos de imigrantes, e tentei colocar na roda de novo o assunto da minha mudança. acho que minha vó ficou mais surpresa de eu ter saído do trabalho, percebeu a seriedade do assunto. mas depois de uns minutos, quando a gente falou dos preparativos pro natal, ela quis saber quanto tempo eu pretendia passar lá. “ah, não sei, vó. só seu que volto pro natal no ano que vem”, no que ela responde “se vier, né?”, com um riso de “te peguei no pulo, hein? tá pensando que nasci ontem?”