Estava lendo a Veja da semana passada e encontrei essa carta de um leitor a respeito da reportagem sobre os 150 anos de nascimento de Charles Darwin:
Sou monge beneditino, acredito em Deus, acredito na Igreja – e também em Charles Darwin. Qual o problema? As Escrituras não são, nem querem ser, um livro descritivo do funcionamento da natureza. A Bíblia não é um manual de ciências, e é um grande erro lê-la desse modo. No livro do Gênesis, a narrativa da Criação (por sinal duas, escritas com séculos de diferença) é apenas uma reflexão sobre a condição espiritual humana, dentro do quadro de uma introdução teológica à Aliança entre Deus e seu Povo. Os autores não tinham a mínima intenção de “informar” os leitores a respeito de como o homem apareceu no mundo, mas do porquê da Aliança e da necessidade da redenção. A ciência, por sua vez, nada tem a dizer a respeito de Deus, nem a favor nem contra. Um bom cientista pode ser mau teólogo e, apesar disso, fazer boa ciência; por outro lado, um bom teólogo não pode contradizer a ciência, sob pena de fazer péssima teologia. A ciência e a fé não se opõem porque respondem a perguntas diferentes.
Dom Mateus de Salles Penteado
Ponta Grossa, PR
Explicou bem uma coisa que eu nunca consegui colocar em palavras, e ainda bota em perspectiva o ensino do criacionismo nas escolas. E vocês, parcos leitores, o que acham dessa bagunça?






4 Comentários
Existem pessoas guiadas pela fé e pessoas guiadas pela lógica, geralmente uma não entende as motivações da outra.
com certeza, racum, e isso é um tanto triste. acho que temos esses dois lados dentro da gente o tempo inteiro; cada um se manifesta quando necessário. não deveria ser tão difícil assim entender as motivações da ciência e da fé.
Acho que ele explicou bem e que o ensino deveria ser laico em matéria de religião, a não ser que se opte por uma escola religiosa.
Sou mais Darwin, mas respeito quem nao é…
Acho que as religioes trazem respostas fast-food para as dores e humana.
Sou cética quase até o fim, rsrs… Sei que há coisas que ainda nao somos capazes de explicar, mas acho que um dia a ciencia chega lá (1000 anos tvz?)
Fico pensando em todas as coisas que sao mistérios para nós e a nossa crença em milagres, e comparando-nos de certa forma com aqueles indios que, ao virem o bandeirante colocar fogo na agua, que nada mais era do que aguardente., chamaram-no de deus do fogo…