ch-ch-ch-changes

voando sobre as rochosas

Oh Yeah
Ooo

Still don’t know what I was waiting for
And my time was running wild
A million dead-end streets and
Every time I thought I’d got it made
It seemed the taste was not so sweet
So I turned myself to face me
But I’ve never caught a glimpse
Of how the others must see the faker

I’m much too fast to take that test
Ch-ch-ch-ch-Changes
(Turn and face the strange)
Ch-ch-Changes
Don’t wanna be a richer man
Ch-ch-ch-ch-Changes
(Turn and face the strange)
Ch-ch-Changes
Just gonna have to be a different man
Time may change me
But I can’t trace time

ok, depois de fazer uma busca na web eu vi que esse título é mega cliché.
que me importa, bowie anda me entendendo como ninguém mais.

folha canada

esses últimos dois anos foram preenchidos por uma sequência de preparativos para um grande mudança que está a pouco mais de um mês de acontecer. começou em novembro de 2007, quando voltei de um congresso no canadá (sempre você, oh, canada), e o ander me propõe de mudarmos para lá. desde que voltei de montréal, em 2003, eu nunca pensei em me mudar de volta pra lá. e ele estava de saco cheio da empresa dele, então no começo eu não acreditei muito se ele queria mesmo se mudar de país ou se essa ideia absurda era parte da insatisfação profissional do sujeito.

ele me convenceu de que era sério e começamos a ver o que precisaríamos fazer pra trabalharmos lá, morarmos lá, enfim, vivermos lá com um pouco mais de dignidade que os mineiros que fogem pra new jersey. eu não estava a fim de topar subemprego (mais neste tópico adiante), queria as coisas feitas direitinho.

folhas de canada

descobrimos que existe todo um mundo de grupos de discussão na internet, escolas de francês do québec e toda uma miríade de sites do governo do canadá para apoiar quem quer deixar seu país de origem e ir se aventurar no “grand nord”. estudamos o québécois, conhecemos muitas pessoas com os mesmos planos e, finalmente, conseguimos atravessar a burocracia como quem acha o eldorado depois de anos (mesmo) numa selva suarenta de formulários, atestados, exames médicos e declarações que irritam que nem mosquito.

estamos com o visto na mão, finalmente, depois de termos a passagem comprada e o apartamento alugado lá. estou num estado lastimável de stress e ansiedade, com pressão alta e colesterol idem, e inversamente proporcional deve estar a paciência do ander. e o pior é que ainda nem posso dizer que valeu a pena. acho que só terei essa resposta daqui a alguns anos.

por enquanto, sei que não é passárgada. só sei que já começou bem: fiz o processo com o ander como qualquer outro casal faria, sem distinções de gênero como está bem explicado no rodapé do formulário. lá vamos poder nos casar e finalmente confirmar perante a lei o que já vivemos de fato. vai ser um imposto de renda, um plano de saúde, mais um dependente no seguro de vida. não sei se na vida cotidiana vai mudar alguma coisa, mas já me sinto cada vez mais próximo desse cara que eu amo.

eldorado está lá, vamos chegar daqui a pouco, sem saber direito o que temos pela frente, por mais que tenhamos nos preparado. todo dia encontramos alguma informação nova e percebemos o quanto o governo de lá se empenha em receber bem o imigrado. “o québec quer você”, ouvimos pra todo lado, e você pensa: “claro, né, quem não ia querer? um outro país pagou pela minha formação inteira e agora eu chego lá, prontinho pra trabalhar. haja negócio bom assim lá na china!”

antes eu não pensava em subemprego, mas agora eu acho que topo (quase) qualquer coisa pra começar: vendedor de livraria (editoração, você precisa me valer pra alguma coisa), atendente de padaria de bagel, tirador de neve de escada… hoje essa opcão parece fazer mais sentido, já que estou mirando lá na frente e pretendo voltar a estudar. planos a longo prazo, eu não me lembrava mais como fazê-los.

arremedo de neve em montreal

tudo é novo, tudo brilha, tudo chama a atenção. tenho um moleque aqui dentro que quer se jogar, como quando fui pra lá há sete anos (conta de mentiroso!), e logo atrás dele vem um velho que pede cuidado a cada passo. estou empolgado, como há anos não ficava, e isso justifica o trabalhão que tivemos. em pensar que esse trabalhão foi só preparativo…

quando fui estudar na concordia university, uma das quatro da cidade, era minha primeira viagem internacional. conheci brasileiros e estrangeiros, conheci os países do québec e do canadá, conheci a neve e um inverno de -30º, conheci comidas exóticas e pizzas malfeitas, conheci costumes e valores diferentes dos meus, mineiro perdido em são paulo. precisei de drummond, neruda e vinicius pra me entender num lugar sem meus amigos, sem minha família e sem o ander, que eu só conhecia há um ano e não queria largar. vi que a neve derrete mostrando uma rua suja. o eldorado não é só brilho, graças a deus. é de verdade, tem defeitos, do jeito que eu acho que tem de ser.

agora estou voltando pra um eldorado completamente diferente. vou com o ander, vamos pra trabalhar e vamos de vez — ou pelo menos por um bom tempo.

indo pra camboriu

quando escrevi esse texto, eram quatro horas da manhã e eu estava na casa da minha mãe em andradas. não dava pra ouvir nada além de alguns pingos de chuva e um grilo no terreno ao lado. até o maldito cachorro do vizinho resolveu dar uma trégua. eu acordei de um sonho com uma propaganda de dentistas onde “figuras conhecidas da noite paulistana agora atendem você, que mora fora do país e precisa de um tratamento rápido e de qualidade nas suas curtas férias por aqui”. eu já estou me sentindo um emigrante.

no dia anterior, eu passei na casa dos meus avós, ambos filhos de imigrantes, e tentei colocar na roda de novo o assunto da minha mudança. acho que minha vó ficou mais surpresa de eu ter saído do trabalho, percebeu a seriedade do assunto. mas depois de uns minutos, quando a gente falou dos preparativos pro natal, ela quis saber quanto tempo eu pretendia passar lá. “ah, não sei, vó. só seu que volto pro natal no ano que vem”, no que ela responde “se vier, né?”, com um riso de “te peguei no pulo, hein? tá pensando que nasci ontem?”

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10 Comentários

  1. Escrito 14 de dezembro de 2009 em 22h51 | Permalink

    fá, fico feliz e triste ao mesmo tempo

    feliz porque finalmente o sonho pelo qual vocês vinham lutando durante anos se concretizou
    claro, como você mesmo diz, nem tudo serão flores.
    mas saber que um sonho acalentado
    finalmente está tão perto
    e que você se sente feliz como uma criança
    e com vontade de experimentar tudo
    [as coisas boas e as ruins]
    é muito bom.

    engraçado que eu não consigo imaginar em vocês longe de mim
    [que egocêntrica né?]
    é estranho… mas eu não sinto como se vocês estivessem partindo
    talvez porque hoje a internet possibilite que a gente esteja junto mesmo sem estar
    coisa impraticável há dez anos atrás.

    eu vou sentir falta, tanto, de vocês…
    os bate-papos, as risadas, os programas cabeça-gorda
    as aulas de desenho, os passeios descompromissados
    os sorvetes na rua, as voltinhas na liberdade
    as festinhas…
    sodades, tantas.

    carrego vocês no coração
    ontem, hoje, sempre.
    o pensamento sempre vai lembrar, e o coração sempre vai sentir falta.

    mas conto nos dedos pelos dias em que nos veremos novamente
    e poderemos nos abraçar
    e rir como crianças, felizes, completas, ingênuas.
    o amor é assim.

    luv toujours, miki

  2. sasse
    Escrito 15 de dezembro de 2009 em 10h03 | Permalink

    ô miki, eu fico feliz e triste por tanta amizade! muito obrigado, minha querida!!!
    pode ter certeza que eu também vou contar os dias pra gente se encontrar.

  3. Escrito 31 de dezembro de 2009 em 15h18 | Permalink

    Oi Fábio!!
    Obrigada, um ótimo 2010 para vc. e pro Andfer tb.
    Que maravilha, duas semaninhas! Apesar que essas duas ultimas costumam ser ansiedade triplicada. Apertem os cintos!! :) E sejam bem-vindos!
    Quando chegarem nos avisem a marcamos algo.
    Abraços
    Erika

  4. Escrito 7 de janeiro de 2010 em 11h54 | Permalink

    Estou chocado! Por alguma razão exotérica (pergunte ao Google Reader) eu não havia visto esse post, e só vi agora que troquei de leitor.

    Poxa, agora a saudade vai bater forte… mas achei o máximo esse projeto de vocês, e contem com as minhas figas — espero que dê muito certo!

    Abração pros dois,
    Miguel

  5. sasse
    Escrito 7 de janeiro de 2010 em 13h18 | Permalink

    Valeu, Erika! Marcaremos algo com certeza! :)

  6. sasse
    Escrito 7 de janeiro de 2010 em 13h18 | Permalink

    Oi, Miguel! Que bacana receber um comentário seu!
    Muito obrigdo e sinta-se convidado para ir nos visitar.
    Um abração!

  7. Marcia
    Escrito 26 de janeiro de 2010 em 22h33 | Permalink

    Hmm, agora que vc e Ander estão longe, estreio aqui no seu blog, à espera de notícias de como estão.
    Bjs! Boa sorte!

  8. sasse
    Escrito 26 de janeiro de 2010 em 23h05 | Permalink

    oi, marcia! seja bem-vinda!
    por aqui tudo bem, ainda nos acostumando com o frio.
    logo mais postamos fotos e notícias.
    beijos!

  9. Escrito 29 de janeiro de 2010 em 08h44 | Permalink

    Que legal que está dando tudo certo…
    Ser “estrangeiro” não é fácil, é uma aventura e tanto, ainda mais permanentemente como vocês querem… Com a formação e profissionalismo de vocês acho que vão se garantir muito bem por aí. Boa sorte e façam o favor de dar notícias aos amigos da terra brasilis.
    Obs: Fiz minha primeira european tour esse ano e foi mara, depois passa no blog pra ler o diario de bordo quando der!
    Beijos pra ti e pro ander.

  10. sasse
    Escrito 31 de janeiro de 2010 em 18h56 | Permalink

    oi, jan! valeu pela mensagem.
    por enquanto tá sendo uma experiência ótima, muito divertida e fria! :D
    um beijão!

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